A garagem dos bufões

Era noite de sábado havíamos encerrado o expediente do dia e por decisão unanime fomos para um bar karaokê, eu e os colegas do trabalho.
Os mais assanhados já chegaram escolhendo suas cantorias, os mais despojados pedindo suas cervejas geladas, e haviam aqueles que optaram por um suco de morango, que por sinal gerou o primeiro motivo de "bufa" na garagem. Pois sim eramos uma turma diferenciada e iniciamos a noite com um dos nossos com dor de barriga. 
A madrugada avançava e a resenha também, pois os assanhados já estavam entrosados com o palco e microfone, os despojados já estavam bêbados ou digamos que "alegres". E o caldo de sururu alimentara as expectativas de um bom final romântico.
Havia um homem sentado sozinho bebendo uma cerveja,este de aparência rustica, barba frisada, cabelos grisalhos e me parecia tão atraente, posso dizer com propriedade pois não estava na turma despojada. Ele me observava desde o inicio da cantoria mais Trash, (sou uma amadora do rock and roll...) e o notara me olhando com um olhar 43, mas não pensei por nenhum momento que teríamos um contato além da troca de olhares. 

Mas claro que na nossa mesa havia uma "alegre" especial, que não iria permitir que minha timidez na conquista evitasse uma aproximação entre eu e o gatão. E no momento em que a conta foi pedida por ele, ela o ofereceu um copo de cerveja, e este se aproximou de nós aceitando com muita cortesia. Eu era apenas uma das atraídas por ele, pois entre nós os comentários já tinham sido feitos, mas era à sua escolhida! Daquele momento em diante nos entrosamos, conversamos nos admiramos e beijamos em minutos que duraram o melhor dos beijos, era o clímax da noite. Quem havia bebido foi gastar a alegria dançando, outros cantando foram momentos de musicas bregas, sofrências, e o sertanejo. O tempo passara e a necessidade de ir embora se aproximava, foi quando nos encaramos e juramos o ultimo beijo, pois como estrangeiro aquela seria a nossa despedida. Foi quando a "alegre" especial que nos apresentou, bufou e pela impertinencia estragou o nosso ultimo beijo, a troca de olhares, a alegria dos bêbados, a cantoria do bar, a qualidade do ar, e magia da resenha.
Era três da madrugada daquele domingo, e hora de fechar a garagem dos bufões.


Rafaella Alencar 

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