Um pedaço de madeira em forma de badoque era uma encarnação do nosso amor. Tão real quanto aquele dia ensolarado, uma árvore grande
e uma ligação entre natureza e o coração.
Estava em sua terra pela primeira vez e uma magia tomava conta do meu eu, realização misturada com curiosidade. Queria aproveitar cada instante naquele pedaço do paraíso. Jurava que aquela sensação duraria eternamente.
Eu com uma grande emoção fruto de uma paixão avassaladora que me incendiava a cada gesto de carinho.
Ele com um grande senso de razão fruto da maturidade emocional, mesmo me amando como um animal.
Nos completávamos como o sol e a lua em uma incompletude. Muita amizade coloria nossa relação, xerox colorida de ótima qualidade, assim que carinhosamente nos referíamos as nossas semelhanças. 
Era o meu primeiro amor!
Um pedaço de madeira fora minha companhia durante todo aquele verão, na gaveta me lembrava sobre a importância de valorizar o sentimento alheio pois ser desprezada me fazia refletir sobre as juras de amor feitas ao vento.
Ele partiu dizendo me amar, ele partiu dizendo que voltaria
me enganei em acreditar que a magia duraria com o passar do tempo, que viveríamos tudo outra vez.
Superei esse amor, e por fim entendi que não há mal nenhum em amar mas, o amor dura tempo suficiente enquanto nos faz bem e que o maior de todos os sentimentos é o amor próprio.
Verões se passaram, admiração e a esperança de um recomeço.
O pedaço de madeira pegou cupim junto com o amor que juramos guardar.

Rafaella Alencar

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