Conheço o meu lugar

Um bom moço caminha devagar pela rua
vende geladinho desde pequeninho 
corre de pé no chão atrás de pipa
brinca de gude, policia e ladrão e joga pião
Ouve falar da seca no sertão, não se intimida
Calor é grande, mas a esperança é maior 
agora vende na feira o geladão
Reza a vela pro sol se esconder um pouquinho 
Devagar o que é árido e sem vida
abre o céu pras chuvas de março 
aqui tudo tem espaço, o choro dura a noite
mas a alegria segue sem compasso 
aqui o luar é pras conversas de vizinhos
pras crianças correrem a rua inteira
pra namorar nas praças, jogar dominó e carteado 
Não somos uma das sete maravilhas do mundo 
o Cristo daqui é seco e desnutrido, a pele é morena
não é redentor... é Mario Cravo
Quando estoura um estrondo não duvidamos 
é Bomba!
Não bala perdida que é solta de graça
Onde fica a fumaça de um futuro que não virá
e uma violência que desvirtua
a cidade dita maravilhosa
Ó Rio de Janeiro, somos Dezembro teu!
E quando o exercito te fecha percebo a guerra 
que teu povo não venceu,
triste realidade escancarada
na terra mulata como Salvador,
seu governador te roubou
Teus morros desmoronou, 
e o projeto melhor lugar do Brasil fracassou!
Aqui na minha pátria não foi diferente, 
meu povo já morreu de muito trabalhar,
mas na janela da tv é preguiça o adjetivo que nos dá.
Um coronel nos governou e atrasou o nosso desenvolver, 
tão ricos e tão miseráveis nós fomos, 
uma contradição que até hoje encontramos.
Vem chegando as festas juninas, ultraje caipira 
pois a tradição gera reunião geracional 
que obviamente não passa no jornal nacional 
A Sapucai sim é que merece transmissão 
pouca roupa é mais vendido do que um monte de xadrez
Ainda sim sou mais o meu NORDESTE 
Sou cabra da peste, arretado como o quê
Terra mãe do Brasil, de tesouros mil somos mais Brasil
a pele negra, parda, branca, 
amarela somos uma aquarela
Verde da mata atlântica,
mangue manguezal, biomas ricos
quanto a diversidade cultural, 
nada importado tudo produzido no local
Mas nada tão único no mundo como a CAATINGA
Águas que acalmam, que transportam meu povo, 
que põe comida na mesa
São Francisco o teu riso é uma beleza,
mata minha sede, do meu gado e da minha terra, irriga meu coração
La belle de jour é nossa menina,
a moça da tarde de um domingo azul
e na sala de reboco todo esforço pra dançar com ela é pouco
pois o girassol dos seus cabelos deixa qualquer cabra doido
A garota de Ipanema é linda sim e seu balançado é como um poema 
mas é minha cabocla o retrato da mulher brasileira 
e por ela perco as estribeiras, uma flor de mandacaru pra essa namoradeira.
Não, as estatísticas não nos fizeram parar no tempo
A nanição é um passado, a desnutrição não é mais retrato
Universidade aqui tem um bocado, não somos mais peregrinos 
construindo vida fora de nosso sertão, emprego aqui é real
Não, nos impediram de ser felizes, não bateram a porta em nosso nariz 
Não somos do lugar dos esquecidos, e ter tido um presidente fruto do mar
de Pernambuco nos fez nadar mais que Lulas, e hoje conhecemos bem nosso lugar
Nada de nação de condenados, nada de sertão dos ofendidos.

Conhecemos nosso lugar, e com muito orgulho vejo meu NORDESTE brilhar!








Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tão só, tão completa, tão eu.